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Desejo das pessoas por morar em casa anima loteadores a lançar novos empreendimentos, diz CEO da InstaCasa

Ana Clara Tonocchi
Escrito por Ana Clara Tonocchi em 25 de junho de 2020
Desejo das pessoas por morar em casa anima loteadores a lançar novos empreendimentos, diz CEO da InstaCasa
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Há três anos surgia a InstaCasa, uma das primeiras startups brasileiras para atender as loteadoras. Se o projeto original era oferecer tecnologia para um segmento do mercado imobiliário ainda mais tradicional, com a chegada da Covid-19 o desafio aumentou: adaptar os serviços para serem utilizados remotamente. Como apresentar um lote por imagens e ainda assim corresponder às expectativas dos compradores? Mauricio Carrer, CEO da startup, conta sobre as ações que a InstaCasa tomou para responder às novas demandas. Entre elas, uma espécie Google StreetView dentro do próprio empreendimento e o uso de realidade aumentada para entender as dimensões do projeto de interesse.

Mauricio Carrer, CEO da InstaCasa

IMOBI: Como você definiria a InstaCasa?

Mauricio Carrer: Nós somos uma plataforma de visualização de projetos de arquitetura para apoiar a venda de lotes. Então, quem usa a plataforma da InstaCasa é o corretor, na ponta da venda, quando está vendendo um lote. A plataforma entende as características do lote, como dimensões, restrições legais, legislação aplicada, detalhes construtivos, varre nossa base de projetos e apresenta todos os projetos que são compatíveis com o lote que está sendo negociado. A gente costuma ter uma centena de projetos para cada empreendimento. 

O objetivo é oferecer como se fosse um “decorado”, com o qual a pessoa consegue efetivamente ver várias possibilidades de como uma casa pode ser construída no espaço. Quando a pessoa compra o lote, ela ganha um acesso a nossa plataforma, com as informações do seu lote e com a possibilidade de escolher entre dez projetos de uma casa.

IMOBI: E quem é o cliente da InstaCasa?

Mauricio: O mercado de loteamentos é um mercado extremamente pulverizado e carente de tecnologia, principalmente se comparamos com o cenário de incorporação vertical – a grande maioria das construtechs atua nesse mercado. Então, nosso primeiro cliente, o contratante, são as loteadoras, que nos pagam para oferecer esse serviço para seus clientes finais. Mas claro que os compradores de lote são nosso segundo cliente. Não são clientes pagantes, mas são nossos usuários, que navegam na plataforma, solicitam os projetos e a gente entrega para que eles aprovem na prefeitura, construam, enfim. Então, temos uma linha de atendimento para esses usuários.

IMOBI: E como a pandemia está afetando os negócios da InstaCasa?

Mauricio: Toda nossa plataforma, toda nossa ferramenta tinha sido projetada para que o corretor usasse no plantão de vendas, cara a cara com o comprador. Não era acessível para os compradores antes deles fecharem negócio. Por exemplo, depois que uma pessoa fosse no estande e visse e pensasse “nossa, que legal, vi um projeto que é a cara da minha família, vou mostrar a noite em casa para eles”, não conseguia. Tinha que voltar no estande com a família, gerar mais um ponto de contato com o corretor, para que ele conseguisse performar a venda. Então, tivemos que atualizar muitas funções.

Tínhamos, também, alguns lançamentos planejados para o primeiro trimestre deste ano, muitos que estavam previstos para depois do carnaval, que foram postergados indeterminadamente. 

Primeiro, olhamos para esse cenário e pensamos, bem, os estandes estão fechados. Logo, a plataforma desenhada para funcionar em estandes não faz mais sentido. O que a gente pode fazer para adaptar a nossa solução para contemplar as vendas remotas?

IMOBI: E como foi?

Mauricio: A primeira solução que desenvolvemos foi um QR Code com uma degustação dos projetos para cada lote, para os clientes que ainda não fecharam a compra. Então, desenvolvemos uma versão nova do aplicativo que o cliente, na sua casa, consegue escolher um dos projetos e projetar de tamanho real, até andar dentro dela, com uso de realidade aumentada. Então, a pessoa não precisa se deslocar até o lote. Na verdade, não precisa nem sair de casa: para escolher os projetos que ela mais gosta, andar dentro da casa, se encantar.

Criamos, também, um tour virtual. O tour virtual é uma nova solução padrão, que várias incorporadoras e imobiliárias estão aderindo, mas até então não era muito utilizada pelos loteadores, uma vez que ele não tem muito ganho – a pessoa vai ver um pedaço de terra, parece que é tudo igual. Desenvolvemos uma solução de tour não pelos empreendimentos crus, mas pelos projetos. Mais do que isso, conseguimos mostrar o antes e o depois: como está o lote vazio, ou em obra, e como pode ficar legal depois que as casas são construídas. Além do seu próprio lote, a pessoa pode passear dentro do empreendimento. Como se fosse um Google Street View, a pessoa vai andando e vendo todas as casas, com as várias opções de projetos e, inclusive, dá para entrar dentro das casas decoradas.

IMOBI: Como os loteadores receberam os novos serviços?

Mauricio: Foi um sucesso enorme. Não só oferecemos para os loteamentos que seriam lançados, mas também para os que já estavam na nossa carteira. Conseguimos fechar vários contratos novos, inclusive, com empreendimentos que já tinham sido lançados, mas que estavam com dificuldades para vender remotamente.

É engraçado como as crises trazem oportunidades, acabamos conseguindo criar ferramentas novas que, se não fosse a pandemia, a gente nem teria parado para pensar nelas. Depois que criamos, olhamos e percebemos que faz muito sentido ser um produto de prateleira.

IMOBI: Quais as perspectivas para as vendas neste ano?

Mauricio: No mercado de loteamento, vimos março e abril com queda de 40% a 50% nas vendas. Mas está virando, agora em maio e junho, estamos acompanhando procuras melhores do que antes da pandemia.

IMOBI: E a que se deve?

Mauricio: Acredito que há dois fatores: a Selic caiu mais ainda e existe um retorno de investidores ativos reais. Lotes também valorizam. Mas acredito, principalmente, que há um movimento que as pessoas perceberam, com o home office, que elas podem morar mais longe, que elas podem comprar lotes, ter uma casa maior, ao invés de morar em um apartamento. Então, começamos a observar nos últimos 15 dias uma vontade maior dos loteadores de aproveitar este cenário em que todo mundo quer morar em uma casa para lançar novos empreendimentos. Temos a expectativa de que agosto e setembro sejam bons meses para a InstaCasa.

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